A segunda reestimativa da safra de laranja 2025/26 no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro indica um cenário mais desafiador para a produção. Segundo o Fundecitrus, que divulgou os dados em dezembro, a projeção atual é de 294,81 milhões de caixas de 40,8 kg, representando queda de 3,9% em relação à reestimativa de setembro e de 6,3% frente à estimativa inicial divulgada em maio.
De acordo com o órgão, dois fatores principais explicam a revisão negativa: a redução do tamanho médio dos frutos, diretamente relacionada à escassez de chuvas, e o aumento da taxa projetada de queda das laranjas, que passou de 22% para 23%.
Esse indicador está ligado ao agravamento da severidade do greening, ao ritmo da colheita e às próprias condições climáticas do período.
Déficit hídrico pressiona o desenvolvimento dos frutos
Segundo dados da Climatempo, citados pelo Fundecitrus, a precipitação acumulada no cinturão citrícola entre maio e novembro de 2025 foi de 392 milímetros, aproximadamente 20% abaixo da média histórica de 489 mm registrada entre 1991 e 2020. A exceção ficou com a região de Porto Ferreira, que superou ligeiramente a média.
Outras áreas apresentaram déficits ainda mais expressivos, como o Triângulo Mineiro (47% abaixo da média) e Bebedouro (40% abaixo). Esse cenário adverso comprometeu o enchimento dos frutos, especialmente no período crítico que antecede a maturação.
O Fundecitrus destaca que a expectativa inicial era de que as chuvas mais intensas da primavera ajudariam a recuperar parte do tamanho dos frutos, sobretudo na variedade Pera.
No entanto, setembro registrou apenas 20 mm de chuva, volume cerca de 70% inferior à média histórica, e outubro só apresentou precipitações mais consistentes na segunda quinzena. Como resultado, o ciclo de estiagem prolongado afetou o desenvolvimento e reduziu o peso final das laranjas.
Em números práticos, a média geral de peso dos frutos caiu de 158 g (projetados em setembro) para 154 g. Isso significa que o número de laranjas por caixa aumentou de 258 para 265 unidades, indicando frutos menores.
Revisões por variedades mostram impacto desigual
Segundo o Fundecitrus, o efeito da estiagem e da irregularidade climática não foi uniforme entre as variedades.
- Hamlin, Westin e Rubi: mantiveram a mesma projeção de 305 frutos por caixa (134 g cada).
- Outras precoces: permanecem em 272 frutos por caixa (150 g cada).
- Pera: passou de 261 para 267 frutos por caixa (redução de 156 g para 153 g por fruto).
- Valência e Folha Murcha: aumentaram de 235 para 248 frutos por caixa (174 g para 165 g por fruto).
- Natal: revisada de 242 para 248 frutos por caixa (169 g para 165 g por fruto).
Essas variações demonstram como a sensibilidade ao déficit hídrico e ao momento da colheita interfere de maneira distinta no comportamento produtivo de cada cultivar.
Greening e clima intensificam a queda de frutos
Outro ponto crítico destacado pelo Fundecitrus é o avanço da severidade média do greening. Segundo o órgão, o índice saltou de 19% em 2024 para 22,7% em 2025, comprometendo significativamente o potencial produtivo das plantas. De acordo com a instituição, o impacto médio do greening reduz em torno de 35% a capacidade produtiva das árvores afetadas.
O diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, explica que o aumento da severidade da doença, aliado ao déficit hídrico, contribui diretamente para a elevação da taxa de queda dos frutos.
Além da doença, as condições climáticas também intensificaram a perda de frutos. Ventos fortes atípicos foram registrados em setembro, com rajadas entre 50 e 90 km/h, facilitando a queda de laranjas já fragilizadas pela estiagem.
Desafios atuais e soluções estratégicas para o pomar
A segunda reestimativa da safra de laranja 2025/26 confirma um cenário desafiador para a citricultura. A combinação entre estiagem prolongada, irregularidade das chuvas, avanço da severidade do greening e aumento da queda de frutos reduziu o potencial produtivo e exigiu revisões sucessivas das projeções.
Segundo o Fundecitrus e dados meteorológicos da Climatempo, as limitações climáticas e fitossanitárias impactaram diretamente o tamanho dos frutos, o rendimento por hectare e a capacidade de manter a regularidade produtiva ao longo da colheita.
Esse cenário reforça a importância de práticas de manejo capazes de aumentar a resiliência dos pomares, otimizar o uso de recursos e reduzir perdas.
Entre essas práticas, a poda mecanizada ganha destaque. Ao favorecer a renovação constante das copas, melhorar a entrada de luz e facilitar a pulverização, o método contribui para reduzir a incidência e a severidade do greening, principal fator associado ao aumento da queda de frutos nesta safra.
Além disso, a poda mecanizada favorece a uniformidade de florada, melhora a circulação de ar e permite maior previsibilidade de colheita, elementos essenciais para mitigar impactos de períodos de estiagem e ventos fortes.
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